sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Transformando suor em ouro

Livro: Transformando suor em ouro
Autor: Bernardinho
Editora: Sextante

Bom, o terceiro livro que vou resumir aqui no blog se chama transformando suor em ouro. Eu como fã de esportes adorei o livro, mas confesso que para o meio profissional aproveitamos pouco. Salvo 2 capítulos muito bons que vou postar em um outro momento, hoje vou escrever resumidamente sobre sua carreira e alguns ensinamentos bem interessantes.

1) Descobridor de virtudes: Bernardinho era levantador reserva da seleção vice-campeã mundial de 82 e vice-campeã olímpica de 84 e ninguém esperava que aquele jogador tão atento no banco viesse a se tornar um craque no esporte. Bernardinho é o divisor de águas num país que precisa aprender a importância da cooperação, da solidariedade e do trabalho em equipe.

2) Um passeio pela Grécia: Este capítulo fala um pouco sobre o dia 29 de agosto de 2004, quando Bernardinho disputaria, como técnico da seleção masculina, a final das olimpíadas. É interessante como ele conta seus pensamentos antes da final. O peso e a responsabilidade da conquista do ouro e os aprendizados com uma possível derrota. O fato de disputar uma decisão não está na vitória do jogo, mas sim em merecermos ou não a vitória. Será que nos dedicamos ao máximo? Será que tivemos disciplina? Será que demos tudo de nós? Se sim, mesmo perdendo seremos eternos vencedores.

3) Meus primeiros treinadores: “Seja o que fores, não chegarás a lugar algum se não estudar, trabalhar e suar muito, com muita dedicação.” – Benedito da Silva (Bené)

“Deve-se exigir mais de quem tem mais a dar. É fundamental conhecer as pessoas para motivá-las.” – Bernardinho

A maior tristeza não é a derrota e sim não ter oportunidade de tentar novamente. “Levei um bom tempo para aceitar a idéia de que ser paciente é diferente de ser fraco.” – Armstrong

4) A geração de prata: Bebeto de Freitas foi treinador da seleção brasileira de vôlei no fim da década de 70 e início da década de 80. Foi impressionante o trabalho desempenhado por ele, viu que tinha um grupo bom, percebeu que poderia dar uma estrutura melhor para eles e com toda a sua capacidade liderou a seleção na prata de 84. Levou uma seleção anônima a disputar títulos como o mundial de 82 e as olimpíadas de 84. Nessa seleção foi onde Bernardinho, no banco de reservas, aprendeu muito observando.

Trabalhar a perseverança, a obstinação, não desistindo e nem recuando diante dos obstáculos. Algumas pessoas com essas características obtiveram ótimos resultados, não tinham grande talento, mas souberam perseverar.

Estudando mais sobre a seleção vice campeã olímpica de 84, vemos que eles não perderam porque eram piores que os adversários, perderam pela falta de concentração e vaidade do grupo, ou seja, poderiam claramente terem sido campeões olímpicos em 84.

5) Uma aventura à italiana: Em 1989 Bernardo recebeu um convite para ser técnico. O time era o Perugia, time feminino da Itália. O time estava na 1º divisão e tinha perdido 11 de 12 jogos. Disseram que ele tinha coragem, mas coragem pra que? Ele precisaria se o Perugia estivesse em primeiro e não em último. Difícil é manter um time na liderança e não tirá-lo de baixo.

Bernardinho sem querer mostra que esteve sempre atento no que faz. Leu muito, aprendeu cada detalhe sobre o esporte e sobre liderança. Se dedicou muito fora da quadra.

6) As meninas do Brasil: Bernardo assumiu a seleção em 1993 e mesmo estando fora da copa dos campeões, ele foi lá ver as seleções jogarem. Foi estudá-las. Disse então para suas jogadoras que queria estar entre as melhores equipes, estar em todos os pódios que disputassem. Mesmo não ganhando sempre. Nenhuma equipe ganha sempre, mas estão nos pódios.

“Se você é um líder realmente duro e exigente, seu próprio sacrifício serve como fonte de motivação, pois demonstrará que a equipe não está sozinha.”

7) A última barreira: Saber que as vitórias do passado só garantem uma coisa: Grandes expectativas e maiores responsabilidades. Então, devemos criar zonas de desconforto para afugentar a armadilha do sucesso e testar o comprometimento dos vitoriosos.

O interessante do Bernardo é como ele redobra a atenção depois das vitórias, mesmo depois de conquistar o título da liga mundial pela 4º vez ele obrigou o time a treinar um dia depois da vitória, onde geralmente o pessoal descansa (pelo menos os normais fazem isso). Esse treino era exatamente para conter a euforia e já começar a focar nas próximas partidas, para ficar claro que o objetivo a ser cumprido é sempre o próximo, essa vitória de hoje só representa uma meta atingida.

Outra reação interessante é que sempre depois de uma derrota a primeira coisa é treinar mais cedo, tipo em vez de treinar as 8:30 o treino será as 7. Faz com que o time entenda que precisa treinar mais e que faltou foco, faltou treino. Quanto mais tu treina mais preparado tu estás.

8) Em busca do ouro: Esse capítulo detalha minuciosamente a conquista do ouro olímpico em Atenas pela seleção masculina de vôlei, mas quero aqui escrever alguns detalhes que achei mais interessantes.

Bernardinho não diz explicitamente que ele como técnico deve se dedicar mesmo nas horas vagas. É impressionante como ele mantém um foco e vive aquilo até não ter mais forças. Em vôos, viagens, ônibus, ida para o treino, Bernardo está sempre pensando e anotando idéias, estratégias, mensagens, tudo para que ao treinar ou antes dos jogos ele chegue com uma surpresa ou com novas palavras. Ele treinou a equipe, falou sobre o jogo que terão em uma hora e ao irem para o ginásio, ele pensa em mais coisas para que minutos antes do jogo ele possa passar isso aos jogadores. Que dedicação. É impressionante.

Outro detalhe interessante foram as palavras ditas por Giovane antes das quartas de final em Atenas: “Ninguém treinou tanto, ninguém merece mais que nós... e certamente ninguém acordou mais cedo”. Ou seja, nossa preparação, nossa dedicação ao processo, aos treinos, isso nos dão a confiança para entrar na quadra e dar o máximo e mesmo perdendo saímos como vencedores. Estar bem preparado, acordar cedo, são esses detalhes que não deixam nós errar e por isso derrotamos os adversários.

9) Concluindo: O livro é muito interessante, principalmente do ponto de vista do esporte em geral. Treinos, motivação, jogo a jogo, foco, lideranças. Com certeza esses aspectos se traduzem para o nosso dia a dia e para o mundo empresarial, mas o foco do livro não é esse. O foco são as experiências de Bernardinho no vôlei. Quando ouvi falar desse livro diziam que tinha muitas lições de administração que Bernardo passava para os empresários em suas palestras, mas ele dedicou pouca atenção a isso. São pequenas citações. Então se você está procurando lições sobre administração desista, mas se o foco for liderança e, melhor ainda, voltada para o esporte esse livro é perfeito.

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